quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Eu não sou buldog não!!!

Achei esse texto muito bacana... vale a pena ler!!
Com a devida autorização, esse texto foi tirado do site http://mulheresempoderadas.wordpress.com/2011/08/01/eu-nao-sou-buldog-nao/

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Estou muito feliz em colocar este texto aqui. Primeiro porque o texto é ótimo mesmo. Segundo, porque ele foi escrito por uma amiga super especial. Somos amigas há quase 10 anos, trabalhamos juntas e nunca imaginei a Manu mamãe…. Mas, na festa de casamento dela, tive certeza que essa mulher que eu conhecia há tanto tempo havia mudado… Ela brincava com os sobrinhos de uma forma que eu nunca a imaginaria brincando. Se tivessem me contado eu não teria acreditado. Mas eu VI! E ali, tive certeza que Manu seria mãe.
Mas o melhor de tudo isso, é que ela se mostrou uma grávida super empoderada. Está se informando, trocando de obstetra e procurando um nascimento digno para sua bebê. Ela está tomando as rédeas da gestação e vai ser protagonista de sua própria história. E numa dessas conversas sobre parto, sobre equipes Manu soltou:
“Eu não vou fazer cesárea! Eu não sou buldog!”…. e dessa conversa, saiu este texto maravilhoso que divido aqui com vocês.
Por Manuela Mitre
Antes de mais nada, eu adoro cachorros, tenho duas em casa. A segunda é filha da primeira, fruto de um lindo parto domiciliar da qual eu fui orgulhosamente parteira, experiência que foi muito importante para mim, mas isso é assunto pra outra hora.

Voltando ao assunto, como muitos sabem, as raças de cães são criação do Homem. Ao longo dos séculos (talvez milênios), o ser humano realizou uma seleção artificial dos cães, promovendo ou impedindo cruzamentos com o objetivo de salientar características desejadas, como inteligência, pelagem, tamanho, etc. Porém, infelizmente, nem sempre essas características salientadas trouxeram mais saúde para o cãozinho. É o caso do bulldog inglês.

Originalmente criado para enfrentar e matar touros com os dentes, o que importava para seus criadores era uma cabeça grande com o focinho curto, para que a mordida fosse mais forte. A largura dos ombros foi salientada para que o cachorro também tivesse mais força para lutar. Mas ninguém se preocupou com a desproporção de tamanhos entre cabeça e bacia que foi sendo reforçada ao longo das gerações. Hoje a raça apresenta o terço anterior do corpo amplo e potente e uma pelves estreita e fina. Nenhuma outra raça tem um tamanho de cabeça tão grande em relação ao restante do corpo. E a cadela ficou com um problemão na mão.
Parou pra pensar na dificuldade que deve ser um parto normal da pobre cadela?
Por tudo isso, normalmente, os partos de bulldogues são realizados por cesariana.
Isso quando eles conseguem cruzar, porque também dependem de interferência humana para se encaixar e ficar grudadinhos – a Natureza é sábia e faz de tudo para que anomalias evolutivas não sejam perpetuadas.
Nós também passamos por um processo evolutivo, deixamos de ser quadrúpedes para andar de pé. E isso afinou a nossa bacia – ou foi porque ela afinou que conseguimos andar de pé, vai saber?
 Nossos cérebros (portanto também nossas cabeças) são mais desenvolvidos e maiores do que dos demais primatas. A conclusão óbvia, conhecendo o histórico do bulldog é que, por tudo isso, os partos deveriam ser mais difíceis, correto?
Errado. Uma adaptação evolutiva NATURAL permitiu que nossa espécie continuasse a se reproduzir naturalmente, sem ninguém ter que ajudar a encaixar (já pensou?). E, para possibilitar um parto normal, o desenvolvimento do nosso cérebro não está completo quando nascemos, ao contrário dos nossos primos macacos.
O cérebro continua a se desenvolver na infância, fora da barriga da mãe, quando a cabeça pode crescer sem colocar em risco a vida dos dois. Por isso também que nossos bebês são mais dependentes que dos demais mamíferos. É como se a gente nascesse um pouquinho antes da hora pra conseguir passar, sabe? Naturalmente!
Claro que existem exceções e alguns bulldogues conseguem parir naturalmente. Assim como alguns de nossos partos precisam de intervenções médicas.
Mas, quando alguém vem me falar de marcar cesária eu só respondo: “eu não sou bulldog, não!”
Fontes: Bulldog Club do Brasil, Desejo Saúde
Manu Mitre, 25 semanas da Alice, escreve semanalmente sobre Design de Interiores no Casa da Id&a. Sem “pode” ou “não pode”, ela explica que o que importa é a mensagem e a sensação que o ambiente transmite.

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