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quinta-feira, 15 de março de 2018

RELATO DE PARTO --- CESAREA-INTRAPARTO - Por Talita Moura

Este é o relato de parto da Talita Moura!
Uma mulher linda, doce e ao mesmo tempo de uma fortaleza surpreendente!

Uma busca por um parto respeitoso que rendeu uma transformação incrível!

Aprecie sem moderação!!!

Talita, gratidão por compartilhar com a gente sua história!!

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Artur acabou de completar 40 dias e de presente recebi esse registro incrivel feito por Juliana Rosa ! Sem palavras.
Artur é nosso segundo bebê arco-íris; nosso primeiro é João Pedro que nasceu de uma cesarea eletiva.

Artur veio de surpresa, num momento não muito fácil, inclusive financeiramente.
Apenas marido trabalhando, João com apenas 1 aninho, e sem plano de saúde... Entramos numa realidade de muitas famílias e iniciamos pre-natal pelo SUS. 
Eu sendo gestante de alto risco, com trombofilia, sempre fui muito bem tratada e não me faltou medicamento ( anticoagulante ) Graças a DEUS não tenho do que me queixar.
Mas nada era tão preocupante quanto nascimento.
Sem condições de arcar com uma equipe completa, eu sabia o que queria! QUERO PARIR ARTUR.


E encontramos mulheres iluminadas para trilharmos esse caminho.
Arlene Ferreira Azevedo, amiga e doula pra vida inteira, ja estava "por perto" desde a primeira gravidez, e efetivamente entrou em nossas vidas com gravidez do Artur. Me auxiliou desde o primeiro contato, conversas infinitas, parceria incrivel. Prontamente me orientou em diversos aspectos, um deles imprescindível foi " você precisa de uma Enfermeira obstetra". E então chegamos a Kátia Zeny Assumpção Pedroso .
QUE TIME !

Ambas me fortaleceram, me apoiaram e fundamentalmente me empoderaram de informação..


Continue lendo esse lindo relato de parto no Blog "A Casa da Doula"

******

[...]Foi uma realização! Sou grata

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Fotos: Prosa e Fotografia - Juliana Rosa - Arquivo pessoal de Talita; postagem autorizada

Quer uma doula no seu parto?

Me chama :)

arlene.felizparto@yahoo.com.br

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Notícias de Jacareí - Diminuição de Cesarianas no Brasil

Ando muito sumida do meu blog amado né? Preciso achar um tempo pra contar o turbilhão de coisas que aconteceram na minha vida nos últimos meses!

Antes disso, porém, gostaria de compartilhar um vídeo, de uma entrevista que dei para a TV Câmara de Jacareí, sobre a diminuição de taxa de cesáreas no Brasil, exigido pela ANS. Falei brevemente sobre o trabalho das doulas e sua influencia na diminuição nessas taxas.




sexta-feira, 23 de março de 2012

INDICAÇÕES REAIS E “FICTÍCIAS” PARA A CESÁREA


Houve bastante divulgação no facebook desta lista... e olhe, é um tesouro viu!!!Foi elaborada por Dra. Melania Amorim (PhD), uma obstetra que não faz cesarianas desnecessárias nem episiotomias a 10 anos (sua conduta sempre baseia-se em evidências), e por Ana Cristina Duarte, que é obstetriz e doula. 
Apreciem a leitura... e divulguem para todos!!!



INDICAÇÕES REAIS E “FICTÍCIAS” PARA A CESÁREA

Algumas indicações de cesariana
 

REAIS

1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;
2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;
3) Placenta prévia completa (total ou centro-parcial);
4) Apresentação córmica (situação transversa);
5) Ruptura de vasa praevia;
6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.

PODEM ACONTECER, PORÉM FREQUENTEMENTE SÃO DIAGNOSTICADAS DE FORMA EQUIVOCADA
1) Desproporção cefalopélvica (o diagnóstico só é possível intraparto, através de partograma e não pode ser antecipado durante a gravidez);
2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é "freqüência cardíaca fetal não-tranqüilizadora", exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anômalos de freqüência cardíaca fetal);
3) Parada de progressão que não resolve com as medidas habituais (correção da hipoatividade uterina, amniotomia), ultrapassando a linha de ação do partograma. Pode ocorrer parada secundária da dilatação ou parada secundária da descida.

SITUAÇÕES ESPECIAIS EM QUE A CONDUTA DEVE SER INDIVIDUALIZADA, CONSIDERANDO-SE AS PECULIARIDADES DE CADA CASO E AS EXPECTATIVAS DA GESTANTE, APÓS INFORMAÇÃO
1) Apresentação pélvica;
2) Duas ou mais cesáreas anteriores (o risco potencial de uma ruptura uterina – em torno de 1% - deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infecção e maior chance de histerectomia);
2) HIV-AIDS (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em franco trabalho de parto e na presença de ruptura de membranas, individualizar casos
.
DESCULPAS FREQUENTEMENTE USADAS PELOS PROFISSIONAIS PARA REALIZAR UMA CESÁREA DESNECESSARIA. 
(a lista de desculpas e enganações é enorme, tem algumas que a gente nem acredita que usam!)

1. Circular de cordão, uma, duas ou três “voltas” (campeoníssima – essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
2. Pressão alta
3. Pressão baixa
4. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
5. Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto
6. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
7. “Passou do tempo” (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas)
8. Trabalho de parto prematuro 
9. Grumos no líquido amniótico
10. Hemorroidas
11. HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto)
12. Placenta grau III
13. Qualquer grau de placenta
14. Incisura nas artérias uterinas (aliás, pra que doppler em uma gravidez normal?)
15. Aceleração dos batimentos fetais
16. Cálculo renal
17. Dorso à direita
18. Baixa estatura materna
19. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
20. Obesidade materna
21. Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)
22. Bebê “grande demais” (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para avaliação do peso fetal).
23. Bebê “pequeno demais”
24. Cesárea anterior
25. Plaquetas baixas
26. Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma
27. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina
28. Edema de membros inferiores/edema generalizado
29. “Falta de dilatação” antes do trabalho de parto
30. Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebês “superdesejados” teriam melhor prognóstico com a cesárea) – motivo pelo qual os bebês de proveta aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal
31. Gravidez não desejada
32. Idade materna “avançada” (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos) 
33. Adolescência
34. Prolapso de valva mitral
35. Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal)
36. Diabetes mellitus clínico ou gestacional
37. Bacia “muito estreita”
38. Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio)
39. Parto “prolongado” ou período expulsivo “prolongado” (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia)
40. “Pouco líquido”
41. Artéria umbilical única
42. Ameaça de chuva/temporal na cidade
43. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana
44. Fratura de cóccix em algum momento da vida
45. Conização prévia do colo uterino 
46. Eletrocauterização prévia do colo uterino
47. Varizes na vulva e/ou vagina
48. Constipação (prisão de ventre)
49. Excesso de líquido amniótico
50. Anemia falciforme
51. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra)
52. Trombofilias
53. História de trombose venosa profunda
54. Bebê profundamente encaixado
55. Bebê não encaixado antes do início do trabalho de parto
56. Endometriose em qualquer grau e localização
57. Prévia exérese de pólipos intestinais por colonoscopia
58. Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem)
59. Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas
60. Infecção urinária
61. Anencefalia
62. Qualquer malformação fetal incompatível com a vida
63. Síndrome de Down e qualquer outra cromossomopatia
64. Malformação cardíaca fetal
65. Escoliose
66. Fibromialgia
67. Laparotomia prévia
68. Abdominoplastia prévia
69. Ser bailarina
70. Praticar musculação ou ser atleta
71. Sedentarismo
72. Miscigenação racial (pelo “elevado risco” de desproporção céfalo-pélvica)
73. Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada
74. Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século)
75. História de cesárea na família
76. Feto com “unhas compridas”
77. Suspeita ecográfica de mecônio no líquido amniótico
78. Hepatite B e hepatite C
79. Anemia ferropriva
80. Neoplasia intraepitelial cervical (NIC)
81. Tabagismo
82. Varizes uterinas
83. Feto morto
84. Cirurgia gastrointestinal prévia
85. Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez
85.Colostomia
86. Gestação gemelar com os dois conceptos em apresentação cefálica
87. História de depressão pós-parto
88. Uso de antidepressivos ou antipsicóticos
89. Hipotireoidismo
90. Hipertireoidismo
91. História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior
92. Colestase gravídica
93. Espondilite anquilosante
94. História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez
95. Hiperprolactinemia
96. Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)

Artigos Científicos
Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte I - https://docs.google.com/file/d/1kXAdud3vlkOrLeN1B_si9cpVrEe41IzsG2HeiyTzIAzi1-BA4Usc2t1uxZoS/edit?hl=en

 Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte II - https://docs.google.com/file/d/1BFsNkUiimQjquT68kNVLxmfsNTDgAHjXaJcmjTNXznieuRzZ5kmiCAOtgJYd/edit?pli=1#

Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico - https://docs.google.com/file/d/0ByeaAlBSCXOOZjY5N2E4MTAtNzMxZi00NmY4LWIyMzUtOTM4ODFhNWJmYTRm/edit?hl=en&pli=1

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cirurgia pra tudo??

Um dia desses, na escola, uma professora adiantava aula. Então, na falta de atividades, falávamos sobre nossas expectativas para a Faculdade. Embora eu tenha q ter mudado um pouco de planos (mais pra frente eu posto aqui sobre isso), meu sonho de ser parteira não morreu, e minha paixão pela Gestação, parto e maternidade, continuam cada dia mais forte.
Um colega meu, vai se casar até o final do ano e (como todo aquele que sonha com esse caminho de vida a dois), em algum momento se pega pensando em como será q vai ser quando vierem os filhos. Como todos da sala sabem, eu quero e vou ser obstetriz um dia. Aí ele só por curiosidade me perguntou o que era melhor, a cesárea, ou um parto normal. Nem preciso dizer o que respondi né... XD

E claro, como todo brasileiro mal informado, ele colocou o ponto de vista dele. Foi +- assim:

Colega: Mas parto normal? Não é pior não? Dizem que a dor é tanta que tem mulher que não aguenta e morre...
Eu: Morrer não morre, mas a dor é tão horrivel assim, como dizem, devido à tanta intervenção que tem nos hospitais hoje em dia; a mulher que é deixada em paz, quieta no canto dela, é capaz de ter um parto normal, todo natural sem essas dores horrendas, hospitalares...
Colega: Ah é??! (cara de muito espanto)
Eu: É ué... vc já não viu, os bichinhos dão cria sozinhos, ninguem vai lah ficar mexendo neles né? A gata, a égua... tds esses bichos, se deixar kieto, dão cria numa boa. A mulher é a msm coisa, é mamífera... por exemplo, ninguém fica lah, por exemplo, pegando uma cachorrinha em trabalho de parto, amarra ela e fica "Vai Lulu, faz força, força de coco, vai lah que você consegue..." vc acha que ela faria isso? Jamais (o que ousasse ainda nisso, levaria uma bela dentada)!! Uma fêmea, ao não se sentir segura, a mente dela meio q diz assim "Opa, aqui não tah seguro pro meu filhote, tem ameaças perto, não me sinto em paz... vou parar o trabalho de parto, segurar o filhote e procurar um lugar mais quieto e escuro, onde não me encontrem..." seria mais ou menos isso!
Colega: Pior né... mas é que sei lá, parece que doi tanto... parece que a mulher não vai aguentar...
Eu: Que nem falei... vc acha que a mulher se sente como? Toda amarrada, com as pernas pra cima pra todo mundo ver tudo ali, sozinha, anestesiada e todo mundo gritando com vc "forçaaaaa... forçaaaaa" não dá né...
Colega: Risos...
(aqui começa a parte nada vê, mas foi um jeito dele entender +- o skema)
Eu: Mêu...imagina assim, vc tah no banheiro, todo concentrado lá e alguem chega no banheiro e fala assim pra vc "Pô mêu, vc tah fzndo errado, faz força pra baixo, vai , isso, agora vai hein, desse jeito mesmo"
Colega: Sai fora, eu não ia gostar não!
Eu: Pois é... e pq uma mulher em pleno TP ficaria feliz com isso?
Colega: Então, nao seria melhor uma cesárea?
Eu: Pra que mexer em algoque é natural?? Se vc ficasse, por exemplo, 5 dias sem ir ao banheiro... vc começa a sentir cólica... vc vai ao médico pedir p ele te abrir, td vez q isso acontecesse??
Colega: Eu não, sai fora, nao quero morrer...
Eu: Pois é... mas é esse o risco que uma mulher corre qdo marca uma cesárea ou o médico empurra p ela uma cirurgia dessa, sem necessidade. Quando há risco de vida, que acontece em menos de 20% dos partos, a cesareana é muito bem vinda!! Afinal, quando o risco da cirurgia é menor do que a que já existe, melhor optar pelo menos arriscado né...
Colega: Legal, vou falar isso pra minha noiva...

Foi uma conversa na escola, na hora da janela da aula...então, já viramos em cima outro assunto totalmente diferente e ficou nisso... mas depois em casa, fiquei pensando nessa comparação maluca e desenvolvi a seguinte "historinha baseada em fatos surreais":

Uma comparação bem nada vê...

Imagina q faz 1 semana q vc não consegue ir no banheiro. Tah td entupida. Vc começa a sentir q seu intestino tah começando a kerer se livrar dakilo e começa a sentir as cólicas. Vc sabe q se deixar, uma hora seu organismo vai eliminar td, mas vc só por precaução, vai p hospital. Chega lah eles podem fzr o seguinte:

Te dão uma porrada de laxante,q  vai fzr seu intestino se apertar como nunca aconteceria se tivesse deixado ele se apertar naturalmente. Vc qse tem um treco de tanta dor pcausa do laxante, mas consegue expulsar td aquilo q tava lah parado, porém, seu organismo fica meio “ressentido” de tanto remédio, fora outras coisinhas – coliqinhas ainda fracas, alguma fissura chatinha... mas td bem, acabou! - Comparando com o que acontece quando aplicam o "sorinho" com ocitocina.

Ou então, um médico chega e fala: é... não vai sair não, tah td “empazinado”... melhor operar -  na idéia do cara, ele vai te anestesiar, abrir sua barriga, tirar a parte cheia pra fora, fzr uma incisão e tirar o ditocujo de lá... – aí pergunto: pra algo fisiológico, natural do corpo na hora de eliminar, vale a pena se arriscar numa cirurgia???

Ok, a comparação é absurda... mas é qse isso q os médicos fzm!!! Fato!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Memórias de um ex-cesarista

Encontrei esse texto no blog Espaço Bem Nascido, um blog ótimo, que procuro ler todos os dias, pois fica sempre cheio de novidades... amei e resolvi compartilhar com vocês. Vejam só como a experiência de acompanhar um parto natural, mudou a visão de um médico que era bem cesarista:

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Antes eu era um obstetra normal. Era chamado para as festas corporativas de final de ano, dormia a noite inteira e raramente recebia ligações de gestantes nos feriados. E se acontecesse, eu ligava para um colega de plantão e ele operava pra mim.

Tinha uma vida social e ia a todos os compromissos pré-agendados, inclusive minhas cesáreas. Tudo pontualmente.

Foi quando conheci a Clara, uma enfermeira recém formada em obstetrícia, contratada para humanizar o parto numa das maternidades em que eu operava. Essas “pressões do governo para reduzir cesárea, sabe como é. Pensei que fosse só pra constar. Afinal, eu já tinha uma postura muito humanizada, oras. Entre a extração do bebê e a seção de tubos nasais da pediatra, eu mostrava a criança rapidamente para a mãe, que ficava emocionada. Mas a pediatra precisava fazer o trabalho dela e isso era o prioritário naquele momento. A mãe teria o resto da vida para curtir. Uma noite sem ele, não mudaria nada.

Enfim, esta Enfermeira começou a conversar com as gestantes que chegavam antes de eu chegar, até que um dia, as peguei numa posição constrangedora: ela e a “mãezinha” de cócoras! Até então só tinha visto tamanha acrobacia em filmes eróticos muitos selecionados. Peguei a doente e operei antes que acontecesse algo pior.

Um dia quando fui ao hospital após a ligação de uma paciente “pós-termo” (40 semanas) e, enquanto me paramentava, escutei um gemido suave e um choro de bebê. Corremos para salvá-los, mas já era tarde. O feto nasceu de um parto completamente “contaminado”. E por sorte, ficaram bem, e tiveram alta após uma semana de nosso ritual de descontaminação. Fizemos o que pudemos: antibióticos, desinfecção, . Nunca cheirei tanto éter na vida.

Por pouco não cai no chão. Nas mãos de uma enfermeira que dizia “Acostume-se, ‘doutor’, no futuro os partos serão assim...” O que ela sabia sobre futuro com estas práticas retrogradas? Foi muito traumatizante pra mim, mas pelo menos, ambos sobreviveram.

O que mais me preocupava era: como aquela criança conseguiu nascer – e bem – sem um médico por perto. Isso ia contra tudo o que eu havia aprendido e acreditado.

A gota d´água para eu deixar aquela maternidade foi no dia em que essa irresponsável acendeu um incenso e colocou o CD da Enya... ‘Pra relaxar’, dizia ela.

Pois eu pedi contas imediatamente! Dois meses depois já tinham reduzido a taxa de cesárea de 95 para 75%. Era demais para mim e eu não poderia compactuar com os riscos a que estavam submetendo mãe e feto naqueles partos sem controle.

Parecia até que o parto era das mulheres, não um ato médico!

Neste novo emprego, contei para o diretor-médico todas as coisas que fui obrigado a assistir e acabei me abrindo demais ao contar que estava fazendo análise por causa desses traumas. Numa dessas seções, até chorei.

Mas este colega compartilhou de minha dor e foi solidário ao garantir que isso só se repetiria por cima do cadáver dele. Mas aí ele morreu no mês seguinte e o substituto colocou como principal meta diminuir as cesáreas, meu Karma. Eu estava quieto na minha... Mas quando vi meus próprios colegas de plantão oferecendo água pra parturiente em pleno trabalho de parto, não pude me conter! O que mais faltava acontecer? Abolir a episiotomia de rotina? Foi o que aconteceu...

Decidi que trabalharia numa maternidade particular, onde jamais seria importunado.

Novamente comecei muito bem até que auxiliei na cesárea de um colega mais cesarista que eu. Ele conversava sobre a festança de reveillon que tinha promovido e que passaria o carnaval na Bahia, por isso estava “desafogando” sua agenda. Parei para olhar aquela cena... Percebi que o assunto ignorava completamente o belo momento que estava acontecendo e que ele estava operando várias grávidas só pra poder viajar no feriado. Percebi que eu já havia feito aquelas coisas, mas ver outra pessoa fazendo igual me despertou algo estranho... Como uma lamentação.

Com o papo, ele acabou esquecendo de mostrar o bebê à mãe.

Numa sexta fera, outro colega me ligou agendando uma “cesárea de emergência” (por cordão enrolado...) para a terça seguinte. Por mais tapado que eu fosse, tinha outro entendimento sobre emergência...

Assim foi indo... Mas devagar essas situações começaram a me incomodar.

Tempos depois, uma gestante chegou ao meu consultório com 12 semanas já falando que teria um parto normal. Vê se pode... Nem estava na época de pensar nisso! Primeiro teria que dar tudo certo – tudo mesmo! – e durante o pré-natal certamente apareceria alguma intercorrência que me obrigaria a indicar a cesárea, era sempre assim.

Mas eu disse que tudo bem porque este era um uma situação distante e concordei que parto normal era melhor, desde que TUDO estivesse perfeito.

As semanas estavam se passando e e nada dela aparecer com sequer um exame alterado. E olha que o que eu mais pedia era exame! Pior é que eu era representante dos médicos no conselho do hospital e tinha uma reunião para reivindicação de um novo centro cirúrgico exatamente na mesma época prevista para este parto. Esta reunião me traria status na corporaçao. Mas seria muito azar ambos acontecerem exatamente no mesmo dia e na mesma hora! Então continuei procurando meus motivos minimamente coerentes para operá-la antes e me salvar do meu destino incerto...

O grande dia chegou. Ela entrou em trabalho de parto sem um sorinho sequer, pode acreditar. Cheguei logo depois tenso porque o “muito azar” aconteceu e estava quase na hora da tal reunião. Ela estava abraçada ao marido e, vai entender, tinha escurecido o quarto. Fiquei desconfortável, porque como eu faria meus procedimentos altamente tecnológicos sem luz? A hora da reunião se aproximava e os participantes muito ocupados, não me esperariam e os colegas me matariam se eu não aproveitasse a oportunidade. O novo Centro cirúrgico beneficiaria a todos que poderiam operar mais e atrair mais convênios para si e para o hospital.

E eu lá preso!

Já estava nervoso com a pressão alta - Nao da gestante, a minha! Saí, voltei, saí de novo e quando voltei peguei a parturiente numa posição que nem minha mulher fazia nos melhores dias: de quatro.

Custou, mas consegui o telefone daquela profética enfermeira obstetra. Ela me pediu pra ficar calmo e que o parto se faria sozinho, se eu deixasse a natureza agir. Que mane natureza! Quase xinguei, mas estava tão tenso que decidi relaxar. Já tinha perdido a reunião mesmo e o pior que poderia acontecer era o bebe nascer sem dar tempo de eu chegar a porta ao lado. Fui para o quarto dos médicos em alfa. Uns disseram que eu tinha que ficar lá, fazendo alguma coisa, que eu estava maluco... “Negligencia!”, nem liguei. Acho até que a paciente não me queria lá naquela hora. Coloquei a Enya no meu MP4 e cochilei. Acordei duas horas horas depois com a supervisora me chamando.

Quando cheguei no quarto dela, já não pude fazer mais nada, senão ver aquele bebê coroando e saindo de sua mãe. Sem fórceps, sem episio, sem nada. Na cama. Antes que eu pudesse chamar o pediatra, ela tomou o filho em seus braços e começou a niná-la entre lágrimas e devaneios. Eu precisava fazer alguma coisa, qualquer coisa, mas fiquei estático. Parecia que se eu me aproximasse, estragaria algo, sei lá. Por incrível que pareça, achei lindo e me deu um nó na garganta. Mas eu tinha que parecer profissional e não me emocionar.

Não havia laceração (nem sabia que era possível nascer sem episio), o sangramento foi moderado, mas logo cessou e eu mesmo pedi ao pediatra para não levar a criança para o berçário.

Mal podia dirigir de volta pra casa. Estava deliciosamente chocado.

Comecei a ver as coisas que estavam na minha frente o tempo todo e jamais pude ver. Me arrependi pelos tantos procedimentos que executei, sem criticar. Lamentei as oportunidade de crescimento que furtei as famílias em meu benefício. E o melhor de tudo: percebi que não precisava continuar sendo assim.

Fui pra casa, li o site da Parto do Princípio, HUMPAR, Amigas do parto, me perdi em tantos blogs, em especial o da Dydy (hehehe) e, confesso, me filiei à REHUNA.

Isso foi há dois anos.

No 1º ano, me tornei o médico que mais fazia partos normais na região e isto me levou a conhecer muitos colegas semelhantes. Fui convidado a dar palestras, meu consultório encheu. Minha mulher disse que eu estava menos presente, mas era muito mais feliz nos momentos em que estava com minha família.

No último ano fui convidado para trabalhar numa casa de parto e há seis meses uma cliente me convidou a assistir o Parto domiciliar dela.

Hoje tenho uma equipe: eu, a clara – aquela enfermeira-Enya – minha esposa que fez um curso de doula e um pediatra que converti á humanização, mas ele raramente precisa aparecer lá.

Minha vida agora não tem mais rigidez de horários, metas e patrões. As mulheres são as minhas patroas! Estou sempre a espera para aparar alguém que vai nascer e nada mais. Incrivelmente, a consciência de que eu não preciso fazer muita coisa num parto me trouxe uma imensurável satisfação.

Sei que não estou cometendo um erro, ao contrario do que nossa sociedade não preparada acredita. Estou seguindo meu código de ética, respeitando o desejo das mulheres que me procuram e as evidencias cientificas. Desta forma, o que poderia estar errado?

Entendi que o corpo feminino é perfeito e que o máximo que precisarei fazer é ajudar, de vez em quando.

Compreendo e pratico o sentido profundo da humanização, não mais o simplista superficial. E agora que o conheço, não resta mais alternativa, não há mais volta.



Obrigado pela atenção.



Assinado: Um ex-cesarista convicto e atual parteiro...
 
Este texto eu encontrei no blog da Dydy e gostaria muito que isso acontecesse com mais frequência com nossos médicos. (Paula)
 
Eu também Paula... ^^v - Um dia veremos isso, se Deus kiser!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Parto normal: Avanço ou retrocesso na saúde da mulher?

Esse vídeo... bom... as imagens falam por si!!!

Pra quem não está acostumado em como é o sistema, de cesareas e partos com intervenções, talvez pareça chocante demais... mas é realidade!!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Qual a diferença?

Eu faço curso preparatório para o Enem, aqui mesmo em Jacareí, pela prefeitura. Minha turma é mto da hora, tds mto esforçados.
Essa semana, minhas colegas e eu estavamos conversando sobre nossos planos pra faculdade; falei sobre a obstetricia que sonho em fazer e comentei q não aguentaria ver uma cirurgia. Uma delas perguntou como eu faria entao, e resumidamente, saiu "já que o Parto Normal hoje, também é uma cirurgia"... não entendi direito, no começo, o que ela quis dizer, mas logo me toquei: "Ah sim... o famoso parto FRANK, com td q tem direito... epísiotomia, tricotomia, posição ginecológica e muito mais, que faz o PN realmente parecer uma cirurgia. Diante da realidade de nosso sistema obstétrico e nossa cultura cesarista, lhe dei razão por pensar assim.
Em vista disso, preparei essa pequena matéria para mostrar a "diferença entre partos". Não pretendo dar uma aula, pois nem tenho a pretensão disso... mas somente tirar akela faixa de que parto normal é pra doidos...

 
Cesareana

 
Cesárea não é parto, é cirurgia!

 
No Brasil, a taxa de cesárea na rede privada chega a 90% e a 55% na rede pública (SUS), sendo que a OMS (Organização mundial da Saúde) recomenda que a taxa dessa cirurgia seja de apenas 15%. No Brasil a maioria das cesáreas são eletivas, ou seja, a mulher (ou médico) escolhe data e hora pro bebê nascer e, muitas vezes, a mulher nem chega a entrar em trabalho de parto. Uma minoria são cesáreas realmente necessárias (veremos os reais motivos pra uma cesárea logo mais abaixo). Numa cesárea:
  • A mulher é anestesiada na coluna (Rack)
  • Fica amarrada na maca, geralmente com os braços abertos
  • Um pano cobre a visão da cirurgia
  • São cortadas 7 camadas da pele e útero
  • As luzes são fortes, incomodando o bebê
  • O bebê é retirado de forma totalmente artificial e geralmente, apressada
  • A mãe deve ficar 6 horas em repouso, para se recuperar da anestesia

 

 

 
Felizmente, já existe a chamada Cesárea Humanizada, onde é visível a diferença de tratamento com mãe e bebê durante a cirurgia. Veja o vídeo: Intensidade das cenas: Moderada

 

 

 
INDICAÇÃO DE CESÁREA ANTES DO PARTO:
  • Placenta prévia: raro e claro
  • Herpes Genital com Lesão Ativa: raro e claro
  • Bebê em Posição Transversa: raro e claro
INDICAÇÃO DE CESÁREA DURANTE O TRABALHO DE PARTO:
  • Eclâmpsia: Raro e Claro
  • Prolapso de Cordão: Raro e Claro
  • Descolamento Prematuro da Placenta: Fácil de diagnosticar, raro de ocorrer
  • Desproporção Céfalo-Pélvica: Altamente discutível, largamente usada de forma errada
  • Parada de Proporção: Altamente discutível, largamente usada de dorma errada
  • Sofrimento Fetal Agudo: Altamente discutível, largamente usada de forma errada.

 
Parto Normal "Frank"

 
Todo Parto normal "Frank" é hospitalar, mas nem todo parto normal hospitalar é "Frank". Como assim?
O parto normal frank é o parto onde o carinho, respeito, atenção e paciência são termos totalmente desconhecidos. Onde as intervenções são rotineiras e o "bulling" é comum (se você gritar, vou te deixar sozinha... na hora de fazer não chorou, então não chora agora... se continuar gritando, vai faltar ar pro seu bebê e ele vai nascer retardado...). Num parto "Frank":
  • A mulher fica deitada desde o trabalho de parto
  • Fica em posição ginecológica no expulsivo
  • Não pode escolher a melhor posição para si
  • Não pode andar, comer, beber, se movimentar
  • Aplicação do "sorinho" - ocitocina artificial, que intensifica as contrações e com isso, a dor
  • Tricotomia (raspagem dos pelos pubianos)
  • Lavagem intestinal
  • Epísiotomia
  • Kristeller
  • Analgesia
  • Não pode ter acompanhante (direito garantido na lei n.º 11.108/2005)
  • O bebê é submetido à várias manobras que pode levar à distócia de ombro
  • O bebê é aspirado, sugado e limpo. Recebe colírio de Nitrato de Prata (para gonorréia) e vitamina k na coxa (ha opção oral - para evitar hemorragia).
  • Geralmente, apos isso, o bebê é separado da mãe, num berçario.

Felizmente, nem todos os partos hospitalares são "frank"... Vários já tem atendimento humanizado e mesmo hospitalar, tem um mínimo de intervenções ou não os tem. São parecidíssimos com o parto natural, que vou tratar logo abaixo.

Parto Natural

É o parto onde tudo acontece ao tempo e ritmo da mãe e do bebê, onde os papeis são muito bem definidos: a mulher como protagonista do parto e obstétras, enfermeiros, doulas e familiares como espectadores. Num parto natural:
  • Não há intervenções; não há pressa
  • A mulher tem liberdade para escolher a melhor posição para si, durante o trabalho de parto e expulsivo
  • Ela pode caminhar, fazer exercícios com bola de pilates, dançar...
  • A presença do companheiro, doula ou qualquer outra pessoa importante para a mãe é importantíssimo
  • Métodos não medicamentosos de alívio da dor, como massagens, acupuntura, compressas quentes, banho de imersão (banheira), chuveiro são muito utilizados
  • A mulher pode comer e beber, se sentir vontade
  • O parto pode ser realizado na posição que a mulher desejar, de preferência que não seja deitado
  • O bebê vai para o colo da mãe assim que nasce
  • Mama logo na primeira hora de vida, se quiser
  • A respiração começa de forma natural, respeitando o ritmo do bebê
  • O cordão é cortado tardiamente, que garante que mais células tronco, presentes no cordão umbilical, vão para a corrente sanguínea do bebê. O cordão é cortado assim que para de pulsar.
  • O parto pode ser realizado em casa ou em casas de parto, com equipe especializada
  • Em caso de intercorrência (que raramente ocorre), é feito a transferência para o hospital mais próximo.

Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer”. Michel Odent


Espero que gostem desse primeiro post. Volto logo mais!